quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sobre piratas e amarras...



Sentado na areia da praia apenas observo o vai e vem das ondas, a forma como elas tocam a areia e voltam para o fundo do oceano, voltam para o desconhecido é algo impressionante, o barulho e o som que elas emitem ao fazer esse ritual me embriagam e me alucina.

Vejo ao longe refletindo a luz da lua um barco, um navio, talvez um barco pirata que se aproxima da costa, posso ver o capitão e sua tripulação de piratas presos, eles dançam no convés e cantam ditando o ritmo das remadas, espera, quanto bebi essa noite? Estou alucinando? Não, não pode existir uma alucinação tão real assim e eles estão cada vez mais próximos de mim, olho em volto para ver se sou apenas eu que estou tendo tal visão e descubro que estou completamente só, sentado a beira da praia.

O barco se aproxima cada vez mais e já é possível ver os mastros com suas bandeiras aterrorizantes tremulando e exibindo algumas caveiras, acredito ser o símbolo da embarcação, posso ainda ouvir os piratas cantando e dançando, canções e danças de quem há muito está preso e já faz disso a sua vida, a sua rotina, o seu ritual diário. Enormes correntes os prendem aos mastros para que não possam fugir, porém fugir seria inútil quando se o que está preso são seus corações e suas almas, presos e amarrados por correntes invisíveis e extremamente inquebráveis.

Escuto o capitão dar a ordem para que se arremesse a ancora, um pirata magro e com um tapa olho se esforça para cumprir a ordem e a executa com dificuldade, porem é bem sucedido, ainda tentando entender o que esta acontecendo observo que a minha garrafa de uísque já não esta mais cheia como estava há alguns minutos, o celular que tocava um som psicodélico já não emite sons e a droga leve que eu carregava comigo no bolso já não existe mais, começo a considerar que talvez ela não devesse ser considerada tão leve assim.

O capitão salta do navio, ele veste roupas sujas e escuras, seus dentes são de ouro, possui um chapéu de dar inveja a qualquer cowboy, carrega consigo uma garrafa de rum...aos poucos caminha até onde estou, ele caminha com dificuldade por usar um olho de vidro e ter consigo uma perna de madeira, sim, estou diante de um legitimo capitão pirata e o medo começa a tomar conta de mim, acho que estou alucinando, talvez sonhando, não sei ainda.


O pirata chega bem próximo de mim e balbucia algumas palavras arrastadas, seu hálito é forte e o cheiro se mistura com o seu rum de baixa qualidade, ele pergunta: ‘’Você realmente acha que nós é quem estamos presos e você livre? Você tem certeza?”e solta uma sonora gargalhada que me faz despertar de um pesadelo, estou em casa, no meu quarto, a tv está ligada em algum canal aonde um pastor pronuncia palavras vazias e meu lençol encontra-se encharcado de suor, ao meu lado, nada nem ninguém, apenas a velha solidão que me mantém aprisionado há tanto tempo, uma garrafa de uísque pela metade o cinzeiro repleto de bitucas. Hora de dormir de novo...

Fonte imagem: http://fotoseimagenscoletion.blogspot.com.br/2014/02/wallpaper-embarcacao-noturna-navio.html
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Anderson T Mendes - Baln. Camboriu,SC - 20/11/2014

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