terça-feira, 15 de março de 2016

Entre sensações e devoções..




Acordou já era de madrugada, a tv repetia exaustivamente o som do menu de inicio do show que acabara de assistir, os acordes e solos de guitarra o faziam arrepiar, o cheiro que emanava do cinzeiro repleto de bitucas inebriava aquele cômodo pequeno..

Levantou-se e foi até a sacada, observou do 23º andar a vista que ali lhe era proporcionado, luzes até onde a vista alcançava, cachorros latiam alto, sirenes ecoavam pela madrugada e o vento lhe tocava no rosto dando uma sensação de alivio e frescor..

A cada rajada de vento uma nova suspirada, a cada suspirada uma velha lembrança lhe assombrava os pensamentos e a altura lhe fazia querer pular..

Decidiu tomar mais uma dose do seu velho e bom uísque, companheiro de todas as horas e acender mais um cigarro, a brasa queimava assim como seu coração ardia em chamas de desejo, paixão e vontade...

Tragava e expelia a fumaça pelo ar, deixando que a brisa levasse embora tudo aquilo, as preocupações, mágoas, rancores e ódio, juntamente com os arrependimentos que a vida lhe trouxe ao longo dos anos..

Decidiu então colocar o dvd pra tocar mais uma vez, começou a escutar os acordes juntamente com a orquestra, ergueu o som e passou a imaginar centenas de cenários imagináveis e possíveis, longe dali ,longe daquela realidade, daquela violência, daquele ódio e rancor, daquela pressão que o fazia ir trabalhar todo dia com uma arma apontada pra sua cabeça sem saber se no fim daquele exaustivo dia ainda teria seu emprego de volta..

Puxou do fundo da gaveta um álbum de fotografias, daquelas que foram reveladas há alguns anos atrás, a cada página que passava lhe era revelado um passado que talvez seria melhor esquecer, apagar da memória, fingir que jamais tinha passado por aquilo, mas não era possível, infelizmente não era, por mais que tentasse seu subconsciente havia tatuado no fundo do peito aquelas cenas e só lhe restava o arrependimento...ou as lembranças..

Olhou novamente para a sacada, viu a brisa que soprava entre as folhas do coqueiro, correu em sua direção e  saltou, saltou buscando voar, saltou tentando achar um sentido pra aquilo, um mix de emoções, um mix de amores e arrependimentos, um mix de querer e não poder, um mix entre vontades e obrigações..

Naquele momento, ali, ele podia ser livre, podia voar, podia ver tudo passando em alta velocidade, as janelas acessas nos prédios ao lado passavam rapidamente pelo campo de sua visão e nesse exato momento um grito ecoou do fundo de sua garganta, um grito de liberdade, um grito como se fosse um prisioneiro que agora podia ser livre e se sentir sem suas correntes, um grito profundo e sincero...sentia cada vez mais próximo ao chão e podia escutar o espanto das pessoas, nesse momento entre gritos assustados e desesperados pode escutar um som familiar, um som irritante e alto, um som conhecido e desprezado por ele, era o som de seu despertador...Simplesmente despertou, acordou em sua cama imensa... imensa e vazia, buscou lhe a companhia ao alcance do braço e não encontrou nada a não ser a solidão, decidiu então levantar para mais um dia que o esperava...


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Anderson T Mendes, 15/03/2016 - Camboriú,SC

Fonte imagem: http://taniagorodniuk.blogspot.com.br/2012/04/resolvi-subir-ao-ceu.html

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Fim & Início...


É fim de tarde, fim do dia, fim de mês, fim do salário...
É fim de tarde, fim da claridade, fim das obrigações, fim dos afazeres...
É fim de tarde, fim das férias e das incomodações, fim dos aborrecimentos...
É fim de tarde, fim da saudade, fim da garrafa e fim da música...
É fim de tarde, fim de um ciclo, fim de uma dor...
É fim do sol e inicio da lua...
É fim e é inicio...
Inicio de um novo dia, um novo mês e um novo salário...
Inicio das atribuições e dos afazeres...
Inicio de uma nova vida, de um novo amanhecer e depois de outro anoitecer...
Inicio de mais um renascimento e mais afazeres...
Inicio de mais incomodações e de uma nova claridade...
Início de mais um ano com incertezas e vitórias para se conseguir novas férias..
Início de um novo dia, um novo sol, novos problemas e nova vida...
Início de um novo ciclo, de um novo sorriso e de um novo dilema...
Inicio de uma nova e desafiadora garrafa...
Início de mais um solo de guitarra, mais uma música..
Inicio de mais uma dose, mais um trago..
Inicio de mais um suspiro ,mais um abraço, mais um beijo...

É fim e é inicio, pois tudo que se acaba dum jeito começa de outro, afinal de contas, aonde começamos é aonde terminamos...
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Anderson T Mendes - 30/11/2015
Camboriú-SC

terça-feira, 14 de julho de 2015

Apenas mais um pesadelo...




Me acordou de madrugada, rosto suado e respiração ofegante, perguntei o que havia e ela não conseguia me responder, era incapaz de formar palavras ou frases completas, apenas balbuciava alguma coisa..

Insisti e perguntei de novo o que estava acontecendo, era uma noite fria e chuvosa, o vento uivava ao passar pela janela, pela greta da janela eu podia ver uma fraca iluminação do poste em uma arvore, ela balançava seguindo o vento, era como se eles fizessem uma dança, um ritmo, uma sintonia perfeita ,a arvore e o vento, era como se o vento ditava  passo de uma dança, um tango, uma valsa, uma salsa talvez, não sabia distinguir só sabia que era perfeito, mas fui tirado desse transe pelas mãos dela me tocando e tentando dizer algo, ver aquela cena era algo agonizante, ela estava ali, ao meu lado, a mulher da minha vida, sufocando em alguma espécie de sonho ou pavor e eu nada podia fazer..

Ofereci-lhe um copo de água e ela acenou que sim com a cabeça, corri até a cozinha, abri a geladeira e não encontrei uma garrafa sequer, todas aquelas que antes de eu deitar estavam cheias agora estavam vazias, corri para a torneira e nada, nenhuma gota, comecei a entrar em pânico, voltei para o quarto e ela não estava mais na cama, estava na sacada, apoiada sobre o parapeito da sacada, uma de suas pernas já estava do outro lado e naquele momento eu pude entender que ela estava querendo se atirar...

Corri para a sacada e ela então conseguiu falar, e com muito esforço disse: “Pare! Não se aproxime”, parei bruscamente na porta, uma sensação de impotência e desespero começava a permear o um corpo, me senti como um refém na mira da arma de um assaltante  e simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo, pedi para que não fizesse aquilo, que não importava qual fosse o problema iriamos superar juntos,como sempre fizemos, não importava qual fosse o tamanho, ela sabia tanto quanto eu que, sempre dávamos um jeito, ela sorriu,sorriu  ao lembrar disso, sorriu daquele jeito que só ela sabe, um sorriso sincero, simples e apaixonante e com ele fechou os olhos, e disse “não se preocupe, nos vemos em breve,apenas não aguento mais ser perseguida pelos monstros, eles me cercam, me rodeiam e aonde eu vou, lá estão eles, me encarando, me sugando todas as energias e tudo o que tenho de bom, espero que não o suguem também” e terminando de falar isso, abriu os olhos, me encarou, sorriu novamente e se jogou...

Foi ao correr até a sacada e perceber que não havia nada lá embaixo, nem rua, nem chuva, arvore ou vento sequer que eu pude perceber ser um apenas um pesadelo e então acordei, era de madrugada, o relógio na cabeceira marcava 03:30h, a chuva caia forte lá fora e batia na vidraça, ainda podia ver a mesma árvore através da fresta de luz que passava pela janela, ainda conseguia ver a dança da árvore e do vento, mas o mais importante disso tudo é que eu via ao meu lado um belo e comprido cabelo dourado, uma respiração tranquila e o que parecia um sono muito tranquilo..


Respirei fundo, sorri e voltei a dormir, me sentindo o cara mais feliz e completo do mundo..

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Anderson T Mendes - Camboriu-SC, 14/07/2015

Fonte imagem: http://2.bp.blogspot.com/ekW0FKdAGqI/UPDION9MEHI/AAAAAAAAB14/5jCeTSQXPwg/s1600/chuva.gif

quinta-feira, 12 de março de 2015

Rumo ao desconhecido...



As vezes a vida nos reserva algumas situações que exigem decisões não tão fáceis, são momentos decisivos, momentos em que se tem que pensar e muito no próximo passo, momentos em que o coração aperta, o frio na barriga é cada vez mais presente e quando menos se percebe aquilo que mais te mete medo é a sua nova realidade, é o seu novo estilo de vida...

Nesses momentos não se tem muito o que fazer, estamos nessa vida de passagem e precisamos aproveitá-la o máximo possível, viver cada segundo como se fosse o ultimo, aproveitar cada chance e cada oportunidade que nos é dada todos os dias, teoricamente, não tem segredo..

O medo é normal, o desconhecido gera medo, todos os nossos sonhos vêm acompanhado do medo, medo de não dar certo, medo de não ser feliz, medo de não fazer feliz, medo de não ser tão bom quanto deveria, medo de falhar..mas acho que já passou da hora de deixar esse medo de lado, encher o peito, (dizem que...tudo que você precisa é de 20s de coragem), respirar fundo, olhar pro lado e ver que quem te acompanha tem os mesmos medos que você, olhar pra trás e ver com orgulho o que lá ficou, olhar pra frente e ver o caminho a ser percorrido, caminho esse que esconde pedras, espinhos, armadilhas mas que também reserva alegrias e felicidades, glórias e vitorias e nada melhor do que uma boa companhia pra encarar essa estrada tão incerta que é a vida..


Devemos ainda lembrar-se de todos aqueles que até aqui nos acompanharam e que sabemos que nos acompanharão pela frente ainda, amigos, colegas e irmãos, sem duvidas poderemos sempre contar com eles, e quando olhar pra trás mais uma vez, lembrando de forma nostálgica aquilo que já passou, com quem se passou, lembrar sorrindo e pensar..”meu, como tive sorte em ter essas pessoas comigo e como foi bom o que se passou...” olhar pra frente, respirar mais fundo ainda, segurar firma nas mãos daquela que escolheu e aceitou percorrer contigo esse tão desconhecido caminho e pensar..é pra frente que se anda..você, seja bem vinda a minha vida, bem vindo ao caminho mais incerto possível, que possamos caminhar juntos rumo ao desconhecido e a felicidade, que não esqueçamos nunca de que somos acima de tudo cúmplices e amigos, somos namorados, marido e mulher, somos também amantes, façamos dessa nossa viagem a melhor possível...simplesmente te amo!

Fonte Imagem: http://qpt.com.br/wp-content/uploads/2014/03/maos-dadas-Medium.jpg

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Anderson T Mendes - Baln. Camboriu, 13/03/2015

quarta-feira, 4 de março de 2015

Madrugada adentro...


Despertou de madrugada, a luz da TV iluminava o quarto e um pastor berrava tentando exorcizar o suposto demônio no corpo de uma pobre e inocente vitima, uma senhora de idade e de pele escura, ela tinha os olhos distantes e parecia de certa forma realmente possuída por alguém ou alguma coisa...enfim, se deu conta de estar prestando atenção em uma coisa que não lhe acrescentava em nada e nem sequer trazia sentido...

Notou então a cama vazia, a cama que um dia já foi pequena para tanto amor e afinidade hoje era grande demais para tamanha solidão, decidiu então desligar a tv e encarar o teto enquanto a luz do poste transpassava a cortina e projetava uma sombra na parede, uma sombra no mínimo tão diabólica quanto o demônio que invadia o corpo daquela pobre senhora na TV..

Tentou eliminar as coisas ruins de seus pensamentos, buscou recordações boas e alegres para tentar eliminar as más, encarou novamente as sombras na parede e assemelhou as à sombra de um passado não tão distante...


Na cabeceira da cama um cinzeiro emanava um cheiro forte e uma brasa ainda tentava queimar, ao lado, um copo com água no fundo, água essa que antes era gelo e se misturava com o resto de uma dose de uísque, era incrível como aquela bituca de cigarro parecia estar buscando uma ultima respiração, um ultimo suspiro... e ele assim como a brasa, deu um ultimo suspiro e apagou...

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Anderson T. Mendes - Baln. Camboriu,SC 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sobre piratas e amarras...



Sentado na areia da praia apenas observo o vai e vem das ondas, a forma como elas tocam a areia e voltam para o fundo do oceano, voltam para o desconhecido é algo impressionante, o barulho e o som que elas emitem ao fazer esse ritual me embriagam e me alucina.

Vejo ao longe refletindo a luz da lua um barco, um navio, talvez um barco pirata que se aproxima da costa, posso ver o capitão e sua tripulação de piratas presos, eles dançam no convés e cantam ditando o ritmo das remadas, espera, quanto bebi essa noite? Estou alucinando? Não, não pode existir uma alucinação tão real assim e eles estão cada vez mais próximos de mim, olho em volto para ver se sou apenas eu que estou tendo tal visão e descubro que estou completamente só, sentado a beira da praia.

O barco se aproxima cada vez mais e já é possível ver os mastros com suas bandeiras aterrorizantes tremulando e exibindo algumas caveiras, acredito ser o símbolo da embarcação, posso ainda ouvir os piratas cantando e dançando, canções e danças de quem há muito está preso e já faz disso a sua vida, a sua rotina, o seu ritual diário. Enormes correntes os prendem aos mastros para que não possam fugir, porém fugir seria inútil quando se o que está preso são seus corações e suas almas, presos e amarrados por correntes invisíveis e extremamente inquebráveis.

Escuto o capitão dar a ordem para que se arremesse a ancora, um pirata magro e com um tapa olho se esforça para cumprir a ordem e a executa com dificuldade, porem é bem sucedido, ainda tentando entender o que esta acontecendo observo que a minha garrafa de uísque já não esta mais cheia como estava há alguns minutos, o celular que tocava um som psicodélico já não emite sons e a droga leve que eu carregava comigo no bolso já não existe mais, começo a considerar que talvez ela não devesse ser considerada tão leve assim.

O capitão salta do navio, ele veste roupas sujas e escuras, seus dentes são de ouro, possui um chapéu de dar inveja a qualquer cowboy, carrega consigo uma garrafa de rum...aos poucos caminha até onde estou, ele caminha com dificuldade por usar um olho de vidro e ter consigo uma perna de madeira, sim, estou diante de um legitimo capitão pirata e o medo começa a tomar conta de mim, acho que estou alucinando, talvez sonhando, não sei ainda.


O pirata chega bem próximo de mim e balbucia algumas palavras arrastadas, seu hálito é forte e o cheiro se mistura com o seu rum de baixa qualidade, ele pergunta: ‘’Você realmente acha que nós é quem estamos presos e você livre? Você tem certeza?”e solta uma sonora gargalhada que me faz despertar de um pesadelo, estou em casa, no meu quarto, a tv está ligada em algum canal aonde um pastor pronuncia palavras vazias e meu lençol encontra-se encharcado de suor, ao meu lado, nada nem ninguém, apenas a velha solidão que me mantém aprisionado há tanto tempo, uma garrafa de uísque pela metade o cinzeiro repleto de bitucas. Hora de dormir de novo...

Fonte imagem: http://fotoseimagenscoletion.blogspot.com.br/2014/02/wallpaper-embarcacao-noturna-navio.html
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Anderson T Mendes - Baln. Camboriu,SC - 20/11/2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Um jogo chamado vida...


A vida é algo engraçado, ela não nos permite ensaios ou testes, a vida não tem fórmulas nem formas de saber se está correto, a vida é algo talvez até imaginário e que passe diante de nossos olhos enquanto respiramos..

As vezes estamos em momentos bons, as vezes eles são ruins..as vezes tudo o que queremos é dar um reset como se fosse um jogo de vídeo game, as vezes estamos nas fases boas e gostosas de se jogar, as vezes estamos naquelas complicadas e que talvez seria melhor ir logo para o final,enfrentar o chefão e carregar a princesa pra casa, mas não é possível, pois esse jogo chama-se vida e ele é implacável e até inevitável..

As vezes gostaríamos de saber o que é certo e se vai dar certo, as vezes apenas queríamos ter a certeza de que vai, as vezes queríamos poder ver tudo como um trailer e decidir se ‘’assistimos’’ou não? Quem dera...

A vida as vezes é complicada, ela nos leva a provar aromas, sabores e amores que jamais imaginaríamos se não fosse vivendo, mas tudo isso no fim deve valer a pena..
Deve haver algum momento nesse jogo em que olharemos para trás e pensaremos, essa fase por mais complicada que parecia foi a melhor,enfrentar o inimigo pra salvar a princesa realmente valeu a pena, as renuncias, as duvidas, as alegrias e principalmente as tristezas sempre nos ensinarão alguma coisa, por pior e mais duro que seja o aprendizado, ele nos trará alguma lição, basta a nós aceitar ou simplesmente deixar passar acreditando que não é conosco...


Ahhh, o que é a vida, senão esse mix de sentimentos e emoções...já dizia o autor..’’é bonita, é bonita..’’

Fonte Imagem: http://angolavitoriosa.blogspot.com.br/2013_05_01_archive.html

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Anderson T. Mendes, Baln. Camboriu-SC