terça-feira, 14 de julho de 2015

Apenas mais um pesadelo...




Me acordou de madrugada, rosto suado e respiração ofegante, perguntei o que havia e ela não conseguia me responder, era incapaz de formar palavras ou frases completas, apenas balbuciava alguma coisa..

Insisti e perguntei de novo o que estava acontecendo, era uma noite fria e chuvosa, o vento uivava ao passar pela janela, pela greta da janela eu podia ver uma fraca iluminação do poste em uma arvore, ela balançava seguindo o vento, era como se eles fizessem uma dança, um ritmo, uma sintonia perfeita ,a arvore e o vento, era como se o vento ditava  passo de uma dança, um tango, uma valsa, uma salsa talvez, não sabia distinguir só sabia que era perfeito, mas fui tirado desse transe pelas mãos dela me tocando e tentando dizer algo, ver aquela cena era algo agonizante, ela estava ali, ao meu lado, a mulher da minha vida, sufocando em alguma espécie de sonho ou pavor e eu nada podia fazer..

Ofereci-lhe um copo de água e ela acenou que sim com a cabeça, corri até a cozinha, abri a geladeira e não encontrei uma garrafa sequer, todas aquelas que antes de eu deitar estavam cheias agora estavam vazias, corri para a torneira e nada, nenhuma gota, comecei a entrar em pânico, voltei para o quarto e ela não estava mais na cama, estava na sacada, apoiada sobre o parapeito da sacada, uma de suas pernas já estava do outro lado e naquele momento eu pude entender que ela estava querendo se atirar...

Corri para a sacada e ela então conseguiu falar, e com muito esforço disse: “Pare! Não se aproxime”, parei bruscamente na porta, uma sensação de impotência e desespero começava a permear o um corpo, me senti como um refém na mira da arma de um assaltante  e simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo, pedi para que não fizesse aquilo, que não importava qual fosse o problema iriamos superar juntos,como sempre fizemos, não importava qual fosse o tamanho, ela sabia tanto quanto eu que, sempre dávamos um jeito, ela sorriu,sorriu  ao lembrar disso, sorriu daquele jeito que só ela sabe, um sorriso sincero, simples e apaixonante e com ele fechou os olhos, e disse “não se preocupe, nos vemos em breve,apenas não aguento mais ser perseguida pelos monstros, eles me cercam, me rodeiam e aonde eu vou, lá estão eles, me encarando, me sugando todas as energias e tudo o que tenho de bom, espero que não o suguem também” e terminando de falar isso, abriu os olhos, me encarou, sorriu novamente e se jogou...

Foi ao correr até a sacada e perceber que não havia nada lá embaixo, nem rua, nem chuva, arvore ou vento sequer que eu pude perceber ser um apenas um pesadelo e então acordei, era de madrugada, o relógio na cabeceira marcava 03:30h, a chuva caia forte lá fora e batia na vidraça, ainda podia ver a mesma árvore através da fresta de luz que passava pela janela, ainda conseguia ver a dança da árvore e do vento, mas o mais importante disso tudo é que eu via ao meu lado um belo e comprido cabelo dourado, uma respiração tranquila e o que parecia um sono muito tranquilo..


Respirei fundo, sorri e voltei a dormir, me sentindo o cara mais feliz e completo do mundo..

_____________________________________

Anderson T Mendes - Camboriu-SC, 14/07/2015

Fonte imagem: http://2.bp.blogspot.com/ekW0FKdAGqI/UPDION9MEHI/AAAAAAAAB14/5jCeTSQXPwg/s1600/chuva.gif

Um comentário:

  1. Nossaaa irmão que profundo isso... Vou confessar que me senti no seu pesadelo. Parabéns pela transmissão das palavras. Abraços

    ResponderExcluir