quarta-feira, 7 de abril de 2010

Parte II

“O sol que tocava e agraciava a todos com seus raios quentes e densos passa a ser Escondido por uma enorme nuvem, parece coisa de filme, coisa de cinema, ou seria coisa da minha imaginação, sim, ela anda me pregando muitas peças ultimamente, já não sei se posso acreditar em tudo que vejo, o relógio insiste em marcar 17hs, o telefone toca mas eu não dou atenção, não sou eu quem estou sentado aqui diante da minha mesa, não..eu estou lá fora, estou presenciando todo o fato, o momento mágico da morte, a hora em que somos libertados..
Observo que tem uma jovem, ela está grávida, olho para o céu e agradeço, sim..temos que agradecer, uma vida está sendo gerada, enquanto uma na minha frente está sendo tomada, uns chegam e outros partem, é assim..
Uma vez me disseram que a nossa vida é como um trem*, algumas pessoas sobem, outras descem, outras simplesmente trocam de vagão e continua correndo pelos trilhos, então aproveite para olhar pela janela enquanto você pode, sim, aprecie a bela paisagem e se lembre de agradecer por poder vê-la.
A criança no útero da mãe ainda nem sabe o que há espera e acaba de presenciar a morte, a única certeza que ela terá na sua vida que está prestes a começar é que ela terá o mesmo fim, talvez não da mesma forma, mas o destino é o mesmo.
O tempo começa a caminhar mais depressa, o sol até então não saiu de trás das nuvens, ele continua lá, como se estivesse de luto por mais uma vida perdida, parece que vai começar a fazer frio, uma brisa incomum começa a soprar, folhas se mexem com mais força, algumas pessoas começam a correr, outras ficam tentando ajudar aquele pobre velho, provavelmente ele não tem mais família, um raio é desenhado no céu que agora deixou de ser claro e está negro, sim, há uma tempestade se aproximando e eu acompanho tudo de perto, não há sensação que se compare a isso, o vento fica mais forte...
Um outro clarão se vê do céu, é mais um raio que se desenha, dessa vez ele atinge uma rede elétrica nas proximidades, tudo fica escuro, prédios e apartamentos ficam sem iluminação, apenas os carros agora iluminam agora a cena, o desespero é geral, as pessoas estão em pânico, menos o velho, ele está em paz, e continuará assim, ele não tem noção do que se passa ao seu lado, ou até mesmo tenha e seja o responsável, quem pode afirmar com clareza...”
Continua....


* A música Trem das Sete é uma analogia a vida e a morte

Anderson Toledo Mendes - Nova Londrina,PR

2 comentários:

  1. Quero continuação [2'
    HAHAHAHA! ;D

    ameeeeeeei .. muito bom! *-*

    ResponderExcluir