quarta-feira, 14 de abril de 2010

Parte III

- Antes de começar a escrever a 3a parte, eu quero de certa forma agradecer as pessoas que desperdiçam seu tempo lendo os textos aqui, acredito que são poucas, umas acham que o que eu faço é perca de tempo ou algo assim, mas não escrevo aqui pra agradar ngm, escrevo pq gosto e tenho vontade, aos que leem e deixam um comentário, ou aos que leem e não deixam comentário o meu muito obrigado...

"O pane agora passa a tomar conta da cena, pessoas procuram abrigos, o vento começa a soprar cada vez mais forte, alguns pingos parecem querer se precipitar do céu, o dia que até então andava modorrento começa a ficar caótico.

Nesse momento sou acometido por uma onda de nostalgia, não consigo me controlar ela é mais forte que eu, e começo a me recordar do dia em que estava em casa numa tarde tão chata quanto a que começou hoje, havia uma construção em frente a minha casa, na verdade não era uma construção, o terreno estava apenas limpo para que mais tarde pedreiros, carpinteiros e tudo mais começassem a trabalhar e dessem forma a um monte de objetos que via espalhado por ali, eu olhava aquela cena, crianças correndo pelo terreno, subindo nos morros de terra, areia, haviam alguns tijolos jogados e elas pegavam e começavam a brincar de construir, sim, aquilo era apenas uma brincadeira, mal sabiam elas que sua construção logo mais daria lugar a um outro tipo de prédio, um prédio com muito cimento, concreto, barras e mais barras de ferro, e que seus sonhos e sua imaginação ficariam enterrados no alicerce. Seus sonhos e imaginação seriam substituídos por algum sonho ganancioso de algum adulto, uma pessoa que já não tem mais a criança em seu interior, que perdeu todo o encanto pela vida e hoje pensa apenas em ganhar dinheiro...não que eu ache isso errado, afinal de contas é o dinheiro que movem as coisas, sem ele, não se faz muita coisa, mas acontece que algumas pessoas simplesmente se esqueceram quem é dono de quem...eu continuo olhando para a cena, o céu escurece e começa a chover, a festa estava completa, as crianças começam a correr pela chuva, e eu já nem me recordo quando foi meu ultimo banho inocente de chuva, e ali estão elas, brincando sem se preocupar com nada, ahhhh como era bom esse tempo, e a nostalgia volta a me atormentar...

Eu quero entrar numa máquina do tempo, dessas que a gente vê em filmes de ficção e quero voltar a ter meu 13, 14 anos. Minha maior preocupação era escolher do que brincar, e apenas fazer o dever de casa (tarefa para alguns) e pronto, tinha a tarde toda pra ser livre, não tinha preocupações e tudo que me importava era viver, afinal de contas, hoje eu vejo que aquilo era vida e eu não me tocava, sabe a frase “eu era feliz e não sabia”? pois é...desse tipo de coisas que estou me referindo, mas quando menos percebo eu estou de volta a minha infância, tenho amigos me chamando, tenho uma camiseta suja, um shorts todo surrado e estou descalço, ahhh, como a terra é macia, o contato dela em meus pés me acalma, há quanto tempo não faço isso? Há quanto não ando sem um sapato que segundo a propaganda é o mais confortável e o mais usado por um fulano qualquer ai, que tem seu rosto estampado em outdoors e tudo mais... até o chinelo que uso dizem ser o mesmo que um certo ator usa nas horas vagas, meu Deus, eu não quero usar a mesma coisa dum famoso, eu não quero ficar famoso, eu só quero é viver a minha vida e ter liberdade...é pedir muito? Quero voltar a sentir a sensação que tinha quando eu corria descalço e cortava os pés com cacos de vidro que ficavam espalhados por ali.é tudo que eu quero... "

Continua...


Anderson Toledo Mendes - Nova Londrina, PR

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